MAN ON FIRE: Como destruir seu legado em 30 segundos - by Rhandy Di Stéfano


Algumas pessoas me perguntaram qual a minha opinião sobre o famoso tapa no Oscar. Não vou perder seu tempo descrevendo o que aconteceu, nem repetindo pela milionésima vez a mesma foto, mas preferi esperar alguns dias para ter mais dados e tentar entender melhor o todo.


Noto que já é um tema que virou jogo de futebol, com torcedores defendendo de forma apaixonada o seu lado, o que agora gera mais um personagem: o torcedor em si.


Então temos vários personagens neste filme: aquele que fez a piada ofensiva, aquele que deu o tapa, e o torcedor.

Como em todo bom drama, todos podem estar errados, mas com certeza todos tem a sua justificativa para defender a sua posição. Julgar de fora é fácil, mas é um exercício fútil, pois não dá para dizer “eu faria diferente”, se você não passou pelas mesmas condições.


Mas e se eu me tornasse um quarto personagem? O observador que tenta apenas avaliar o que se pode aprender deste evento.


Alguns pontos que observei:

1) Estamos nos pós-pandemia, saímos de uma guerra com a Covid de dois anos, estamos com os nervos à flor da pele, mais reativos, mais agressivos, pois somos uma sociedade sofrendo com estresse pós-traumático. O efeito psicológico da guerra dura por meses, até anos. O efeito desses dois anos ainda perdura. Estamos superreativos sim.


2) Por um lado: Piadas antigas, humor ácido, ofensivo nunca foi aceitável. A diferença é que as pessoas engoliam e se calavam no passado. Hoje não mais. A mesma coisa que as pessoas deixavam passar antigamente, hoje é considerado abuso. Temos que fazer um update no nosso entendimento do que realmente machuca as pessoas.