Carta Aberta: COACHING ou PSICOTERAPIA?

Nesta última semana recebemos muitas mensagens de nossos alunos e parceiros, indignados com cenas de uma telenovela, onde uma personagem com traumas de abuso sexual procura um coach (ao invés de um psicólogo ou um psiquiatra) para resolver estas questões emocionais.


O motivo desta indignação é o dano gerado por uma rede de tv, que preza pela seriedade, mas que neste momento prestou um grande desserviço à sociedade. Considerando o poder que a mídia tem de influenciar as percepções do povo, neste caso o impacto está sendo altamente negativo.


O contra-argumento aqui é que a novela é apenas uma obra de ficção. Porém, liberdade criativa nao significa disseminar informação errônea. Em nome da ficção, não se colocaria um dentista para conduzir uma cirurgia cerebral, ou um neurocirurgião para tratar dos dentes de alguém – isso não seria ficção, mas propaganda enganosa.


Nas palavras de Maurcio Stycer: “Não é “só uma novela”. Nem só uma “obra de ficção, sem compromisso algum com a realidade”, como a Globo informa ao final de cada capítulo, mas o programa que tem um grande alcance no país. O impacto que produz nos espectadores é inegável”.


Com o propósito de ajudar a educar melhor aquele público que não conhece o assunto, temos a responsabilidade de separar o joio do trigo.


Na primeira aula do primeiro dia de nossos cursos de formação em coaching, um dos itens básicos que esclarecemos aos alunos é a diferença de coaching e psicoterapia. São profissões totalmente diferentes, com propósitos diferentes. Das 11 competências essenciais de um profissional em coaching, segundo critérios da ICF International Coach Federation, a primeira é a diretriz ética que separa coaching de consultoria e de psicoterapia. Esta é a competência sine qua non, para que o trabalho seja feito de forma ética.


O processo de coaching não tem o propósito de lidar com resoluções de traumas, fobias ou problemas de abuso, pois fogem da alçada e da competência profissional do coach. Seria irresponsável algum profissional querer se aventurar e tentar resolver questões para o qual não foi treinado. Também é irresponsável achar que existem fórmulas mágicas e simplistas para que se resolvam questões traumáticas.


O mais preocupante são profissionais que sofrem de arrogância epistemológica, onde tem pouco conhecimento e acham que podem mexer na vida dos outros, sem perceber que estão causando mais estrago do que solução. Pouco conhecimento aqui é mais perigoso do que não ter conhecimento algum.


O Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou uma carta aberta com comentários relevantes sobre a cena da novela, seguido de comunicados de vários Conselhos Regionais de Psicologia, além do esclarecimento do ICF também repudiando o ocorrido. Assim, nos juntamos a este coro, para compartilhar a nossa indignação.


Como dito pelo CFP, escolas sérias de coaching deixam claro a total separação de coaching e psicoterapia. Temos uma grande porcentagem de alunos psicólogos que participam do nosso curso, justamente para aprender o processo de coaching como uma profissão diferente da profissão do psicólogo.


Não só é considerado antiética a mistura de processos, mas ideal